Fifo Lima

A experiência da dor, memória e esquecimento, vazio e preenchimento são vias que sugerem uma chave de entrada à obra de Paulo Gaiad. Mesmo que se evite a biografia como um roteiro de criação artística, em Gaiad a trajetória particular é matéria prima de seu trabalho.

Quando enfim se assume como artista, aos 39 anos de idade, decide por uma linguagem autoral. O tema escolhido para desenvolver seus códigos é a memória pessoal. Ao fazer o recuo no tempo, percebe que havia varrido as lembranças da infância e da juventude.

Para recuperar a sua história, faz um movimento contra a corrente. O exercício é doloroso e a narrativa é elaborada com elementos pesados. Usa ferro, chumbo, cimento, cobre. Do vidro, vai ao gesso, à madeira, mas também faz concessões à suavidade do tecido e papel.

Fifo Lima